O edifício alvo de intervenção é uma estrutura composta por dois pisos, perfazendo duas casas, com acessos independentes: um pela Rua dos Contrabandistas e outro pela Rua da Correnteza de Baixo, marcados pelo desnível existente entre elas. Como princípio de projeto adotou-se uma metodologia clara de reabilitação das características formais da construção, assim como dos valores arquitetónicos inerentes ao edifício, apropriando, recriando e interpretando soluções já presentes, também no território circundante.
Assumindo o carácter particular das casas, considera-se os dois núcleos como algo transversal na sua composição. Assume-se um deles enquanto pátio, um elemento tipológico presente no território, e outro como núcleo de zonas húmidas, que se posiciona em função da casa com uma ou duas frentes. A existência desde vazio permite uma capacidade de ventilação cruzada como a incidência de luz solar direta e indireta aos espaços mais profundos.
Pretende-se que, através da posição destes elementos se consiga uma maximização da área útil nos espaços de permanência da casa, ao mesmo tempo que se reduz os espaços de circulação.
[Entre a Casa e a Rua]
É mantido o saguão existente, enquanto elemento caracterizador do bairro, promovendo a sua relação com a casa e a rua. Na relação com o exterior as portas ganham um papel preponderante, não apenas como elemento de transição para o interior da casa, mas como princípio de flexibilidade da própria, existindo mais que um acesso direto ao exterior, potenciando múltiplos usos sem estagnar a organização do espaço interior.





[Memória, Cobertura e Paisagem]
Com o novo desenho de cobertura, pretende-se que apareça um elemento contemporâneo que contém, no entanto, uma materialização tradicional, utilizando telha em barro vermelho. Como equilíbrio de projeto, ao redesenhar integralmente o piso superior, propõe-se aquilo que o mesmo proporcionava: a vista. Desenha-se, então, um pequeno terraço que procura estabelecer a memória da relação intrínseca com o rio.
