Cemitério do Pinhal do Fidalgo localiza-se nos arredores rurais do Montijo, numa área já destinada à expansão industrial. Perante a ausência de referências arquitectónicas significativas no local, o projecto encontrou inspiração na obra de Mies van der Rohe, em particular no Pavilhão Alemão da Exposição Internacional de Barcelona de 1929, explorando os princípios de depuração formal, rigor geométrico e continuidade espacial que caracterizam a sua arquitectura.
Organizado em torno de uma capela central, duas câmaras-ardentes e áreas de apoio, o edifício ecuménico desenvolve-se como uma composição introvertida, voltada para o seu interior. A configuração arquitectónica gera pequenos recantos e jardins, onde a luz natural e a presença da vegetação contribuem para criar uma atmosfera serena, de recolhimento e conforto.
A materialidade acompanha a sobriedade da composição arquitectónica, privilegiando materiais simples, austeros e de qualidade. A madeira reveste os espaços de permanência, conferindo-lhes uma ambiência acolhedora, enquanto a pedra é reservada à capela central e às zonas de circulação, acentuando o carácter solene destes espaços.
O resultado é uma arquitectura de contenção e clareza formal, na qual a luz, a natureza e a materialidade convergem para construir um ambiente de serenidade e contemplação.
[Espaço, luz e natureza]
A relação com as três árvores existentes e com o muro envolvente assume um papel determinante na concepção do projecto. Estes elementos constituem referências para a organização espacial do conjunto, estabelecendo uma relação contida com a envolvente e reforçando o carácter introspectivo do edifício.
O muro envolvente constitui também uma referência métrica fundamental, a partir da qual se estabelece uma modulação rigorosa que estrutura e articula os diferentes espaços.


