Implantada num lote de forte carácter natural na Serra da Carregueira, a moradia estabelece uma relação cuidadosa com a paisagem, a rua e as condições climáticas do lugar, articulando os espaços interiores com jardins, pátios e varandas.
Através de uma arquitectura assente em estratégias passivas, materiais naturais e uma implantação sensível, a proposta procura conciliar conforto, privacidade e uma relação contínua com o território envolvente.
A proposta de paisagismo teve em consideração as pré-existências, valorizando os afloramentos rochosos e as árvores existentes. Entre a casa e a frente de rua é desenhado o jardim com espécies de baixa manutenção, garantindo o edifício a recolha de águas pluviais para sua reutilização. A intenção foi a de potenciar uma arquitectura com soluções passivas, nomeadamente através do controlo solar direto e ventilação natural cruzada, permitindo uma otimização das soluções construtivas em resposta às necessidades de conforto térmico.



No nível térreo distribuem-se as áreas sociais, organizadas através de conexões francas e em openspace e, no piso superior, localiza-se o espaço privativo, numa escala intimista. Em ambos os casos, os espaços e as suas comunicações são resultantes do desenho morfológico da casa. Privilegiou-se ainda um acesso franco à cobertura, permitindo a fruição de uma vista ampla como elemento estruturante da relação do edifício com o território.



Na materialização da casa privilegiou-se o branco em resposta à volumetria heterogénea da casa, resultante da definição das várias áreas. Nos espaços de permanência exterior é utilizada a pedra como elemento delimitador, incluindo pavimentos e cantarias. No interior recorreu-se à pedra de cor clara, permitindo uma maximização de luz e amplitude dos espaços sociais, recorrendo ao conforto da madeira na zona privativa e respetiva escada.