O projeto resulta da reabilitação de dois armazéns em Alcântara, que passam a acolher a nova fábrica da Padaria Gleba. A intervenção assume a memória industrial do edifício e traduz-a numa linguagem contemporânea, feita de betão à vista, betonilha afagada e infraestruturas deliberadamente expostas.
Esta rigidez material é contraposta pela madeira, presente em elementos delicados que introduzem calor e proximidade. As divisórias envidraçadas com moldura em madeira organizam os espaços, separando-os fisicamente sem lhes retirar continuidade visual.
A divisão em dois pisos permite atribuir usos distintos aos armazéns, mantendo uma leitura espacial coerente. No piso térreo concentra-se a produção de massas e pão, acompanhada por uma zona de venda aberta ao público.


É aqui que a padaria se revela à cidade, afirmando a sua dimensão pública.
Um pequeno pátio estabelece a transição entre o exterior e o interior, funcionando simultaneamente como espaço de circulação e esplanada ao ar livre.
No piso superior, o ambiente torna-se mais quente e amplo, acolhendo os escritórios e a sede da marca Gleba. Num espaço maioritariamente aberto, a sala de reuniões surge como um volume mais enclausurado, destacando-se pela sua condição mais íntima.
Os balneários e a copa completam o programa, garantindo as condições necessárias ao quotidiano de quem trabalha no edifício.

