Inserido no coração da Madragoa – matriz urbana de traçado pré-pombalino, caracterizada pela sua malha estreita e escala vernacular -, o edifício da Rua das Madres implantava-se como uma estrutura habitacional de quatro pisos, executada em alvenaria portante de pedra com divisórias e pisos em tabique e estrutura de madeira.
Apesar de abandonado e bastante degradado, o edifício ainda conservava grande parte dos seus elementos construtivos originais. A intervenção priorizou a reabilitação desses elementos como ponto de partida para a reinvenção dos apartamentos, assegurando o seu desempenho e habitabilidade contemporânea.
A estratégia de intervenção centrou-se na reabilitação e salvaguarda do património edificado existente, tomando os elementos originais como diretrizes para a reinvenção espacial dos apartamentos, garantindo o seu desempenho funcional e contemporâneo de habitabilidade.
O alçado principal preserva a linguagem sóbria da arquitetura tradicional lisboeta. No piso térreo, reabilitaram-se os vãos e portadas de madeira originais que dialogam com os elementos estruturais do interior. Nos pisos superiores, recuperaram-se as guardas em ferro forjado e substituíram-se caixilharias por novos caixilhos na tonalidade “sangue de boi”, estabelecendo uma relação cromática com o vizinho Convento das Bernardas.